Surfando a Bienal do Livro 2014

Aloha Surfistas, na semana passada ocorreu mais uma Bienal do Livro (de 22 à 31 de Agosto) em São Paulo. O Surfando Letras marcou presença no evento e trás para vocês todas as loucuras do segundo Sábado de exposição (30 de Agosto).

23bienalSurfando o Trajeto

A Bienal do Livro foi realizada no centro de Exposições do Anhembi, um local de fácil acesso, ponto facilmente visto da Marginal Tietê. Entretanto, esse evento atrai milhares de pessoas de diversas cidades não só do estado de São Paulo, como de outros também. Utilizando dessa lógica, podemos chegar a conclusão que uma grande parcela do público não tem conhecimento algum de São Paulo. Sendo assim, na minha humilde opinião, um evento dessa magnitude deveria possuir placas sinalizando o trânsito nos principais acessos da cidade, o que convenhamos seria facilmente arranjado com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a exemplo do que foi feito na Copa do Mundo, levando em consideração as determinadas proporções. Algumas placas sinalizando a Marginal Tietê e as saídas mais fáceis para se chegar ao evento, não dariam prejuízo algum para os organizadores.

Alguém deve estar pensando: “Mas Lucas, se a pessoa não conhece São Paulo ela pode ir de ônibus, já que é disponibilizado gratuitamente o transporte no dia do evento, da rodoviária à Bienal do Livro!”. Sim, concordo e aplaudiria se a fila de espera para se pegar o transporte não estivesse demorando em torno de 2 horas!! Sim, você leu certo, 2 horas de fila para pegar um ônibus.

Então sou obrigado a Dar um Caldo no quesito trajeto. E fica a dica para o Staff: facilitem a chegada com sinalização apropriada nos principais acessos à São Paulo e disponibilizem mais ônibus para reduzir o tempo de espera.

 

Surfando a Entrada

Após chegarmos na Bienal as coisas não foram tão fáceis, falta de indicação de postos de venda, funcionários tão confusos quanto as pessoas que chegavam, sem contar o fator, “pessoas sem educação”. Gente, filas foram criadas para dar um pouco de organização em meio ao caos, portanto as mesmas DEVEM SER RESPEITADAS! Mas o brasileiro é uma raça incrível, que não perde tempo em se favorecer e prejudicar o próximo.

Quando conseguimos nos localizar adentramos à “pequena” fila, que seria a nossa estadia nas próximas 3 horas (como disse a minha namorada: “Nem a fila da montanha-russa do Hopi Hari demora tanto”).

Por sorte, também existem pessoas educadas e simpáticas, entre elas está Otávio e sua filha, que vieram de Monte Sião/MG para a Bienal, conversamos, rimos da situação e trocamos “figurinhas”, o que fez as 3 horas voarem!

Com certeza tem mais alguém pensando: “Lucas, você foi burro, deveria ter comprado pela internet, assim não enfrentaria a fila”. Sim, deveria mesmo ter comprado. Mas vamos juntos fazer um trabalho de reflexão.

Um evento que reuniu mais de 700 mil pessoas com tão poucas bilheterias?

Mais um ponto que deve Tomar um Caldo, a falta de organização e o despreparo dos funcionários!

Filas BienalSurfando a Praça de Alimentação

Após toda a fila, finalmente entramos! Mas já estávamos cansados e com fome, assim fomos até a praça de alimentação. Como tudo na Bienal, estava lotada e com filas gigantescas. Decidimos comer algo rápido, o Bob’s se tornou o prato mais convidativo, foram 20 minutos de fila mais R$56,00 para dois lanchinhos (daqueles de micro ondas que você compra no mercado por R$3,00), refrigerante e fritas.

Como todo bom evento que se preze, não existem mesas suficientes, assim nada melhor que sentar no chão para aquele almoço maneiro, quando outra alma bondosa apareceu em nossas vidas. A senhora Márcia, estava sentada sozinha na mesa, e nos convidou a acompanhá-la. O almoço que tinha tudo para se tornar cansativo, foi extremamente divertido e empolgante. Durante o almoço ela nos contou de sua jornada para conseguir o autógrafo do inglês Ken Follett, que mesmo sem conseguir retirar a senha, não desistiu. Até que seus gritos foram ouvidos, e conseguiu seus autógrafos e fotos. Isso me deixou extremamente feliz, havíamos acabado de nos conhecer, mas a educação e simpatia foram tão grandes que me alegrei quando ela me mostrou as fotos que conseguiu.

O almoço tinha tudo para Tomar um Caldo, comida ruim e cara. Mas a história que nos foi compartilhada valeu a pena. Portanto Dropo Fácil esse almoço.

 

Surfando os Estandes

Em poucos minutos pudemos descobrir que todos os estandes onde se encontravam os escritores, e aqueles mais famosos (Livraria Saraiva, Comix e etc) deveriam ser mantidos à distância.

Os com escritores famosos não eram poucos, era possível sentir o empurra-empurra a muitos metros dos mesmos, lugares como:

Editora Rocco (com Raphael Draccon), Editora Leya (com Affonso Solano), Editora Melhoramentos (com Ziraldo), Editora Panini (com Vitor & Lu Cafaggi, Shiko, Gustavo Duarte, Danilo Beyruth, Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho) e etc.

Eu que estou ranzinza demais e quero distância de multidões. Mas aprovo totalmente tudo o que ocorreu, pessoas horas a fio nas filas aguardando para poder ganhar um autógrafo e tirar seu selfie com o escritor favorito. Ao longe escutava os berros a cada nova aparição, é extremamente bom ver o nível que a literatura e quadrinhos nacionais está atingindo. Vi pessoas na fila da Editora Rocco com o livro “Cemitério de Dragões” que aguardavam o autógrafo do Raphael Draccon e devoravam o livro, não duvido nada, que alguém tenha lido o livro todo antes de ganhar o autógrafo.

Portanto eu Dropo as editoras e estandes de lojas, fizeram um excelente serviço aos fãs.

Estandes BienalSurfando o Saldo ao Fim do Dia

Após toda canseira e maluquice, saí de lá feliz e com vários livros e quadrinhos que queria.

Mas o ponto alto do meu sábado foi quando estive na Editora Gutenberg. Lá o nome de um livro me chamou a atenção, “Exorcismos, amores e uma dose de blues” de Eric Novello. E minha surpresa quando questionei sobre a história e a atendente chamou o próprio escritor para conversar comigo. Tivemos um longo papo, ele me contando toda a loucura de sua história, sua trajetória até ali e a felicidade de poder publicar seu livro em uma editora grande.

Eric é um cara educadíssimo e extremamente apaixonado pelo o que faz, o que me fez comprar seu livro sem dúvidas. E como prometi para o próprio, logo tem resenha aqui no blog.

Lucas com Eric NovelloDropo ou Tomo Caldo?

A Bienal do Livro é parada obrigatória para todos os apaixonado por livros e quadrinhos, mas diante de tantos problemas é um pouco desanimador. Frequento o evento a anos, e não deixarei de frequentar, mas prometi a mim mesmo, que na 24ª edição participarei no meio da semana.

Portanto Dropo, com um pouco de dificuldade, mas ainda assim Dropo.

 

E vocês Surfistas, foram a 23ª Bienal do Livro? O que acharam? Deixem seus comentários, curtam, compartilhem e até a próxima.

Mahalo

Surfando Livros – A Revolução dos Bichos (George Orwell)

Aloha Surfistas da Imaginação, e finalmente temos a primeira resenha do blog! Agora vai!
E não poderíamos começar de outra forma, a não ser falando de uma obra-prima da literatura mundial:

“A Revolução dos Bichos” – por George Orwell

 

Surfando o Texto

Somos apresentados de forma sucinta a Granja do Solar, onde simpáticos animais trabalham de forma “escrava” (lê-se da forma comum como tratamos qualquer animal em uma fazenda) para o Senhor Jones.
E é em uma noite qualquer que esses animais se reúnem na granja para ouvir o sonho do porco Major, porco velho e gordo, que já fora premiado em exposição e era extremamente respeitado pela bicharada da granja. Esse sonho nos revela que um dia os animais se rebelarão contra os humanos, e essa revolução trará autonomia e liberdade para todos, os arreios não serão mais necessários e o chicote estará aposentado.

E de forma magnífica o autor consegue fazer com que criemos uma empatia imensa pelos animais. Você se identifica a cada momento, pensando em seu trabalho diário a troco de água, comida e um lugar para dormir (comparação talvez um pouco exagerada para uns, mas perfeita para muitos).

Então, inesperadamente a rebelião ocorre, os animais afugentam o Senhor Jones, e tomam conta da Granja do Solar, que se torna a Granja dos Bichos. É a partir deste ponto que o livro mostra ao que veio. Será mesmo possível a existência de uma sociedade onde animais de diversas espécies (poderíamos trocar por pessoas de diversas etnias) possam viver de forma igualitária e livre? É possível a existência de uma sociedade onde ninguém tire proveito do outro?

Deixarei o livro responder essas perguntas, caros Surfistas.

O incrível deste livro é que o mesmo foi lançado em 1945 como uma sátira a ditadura Stalinista na antiga União Soviética (o que causou um grande mal estar aos líderes do regime totalitário), mas o mesmo continua atual, e serve como uma crítica a nossa tão estimada Democracia como para as grandes Corporações, onde governantes e líderes enriquecem e engordam as custas dos trabalhadores.

Um livro simples, atraente, com singelas 112 páginas e que deveria ser leitura básica para todo cidadão que se preze. Gostaria que em minha época de colégio, os professore tivessem me indicado tal livro, com certeza teria causado uma explosão de pensamentos na mente de um jovem promissor.

 

Surfando a Edição

Uma publicação da Editora Companhia das Letras, em sua 29ª reimpressão. E que edição Surfistas, com orelhas, e páginas amarelas, excelentes para tornar a leitura suave. As letras são grandes e espaçadas, fazendo com que as 112 páginas sejam devoradas em poucas horas.
Essa edição ainda trás Posfácio escrito por Christopher Hitchens em 2006 e o Prefácio proposto por George Orwell à primeira edição inglesa em 1945.

 

Dropo ou Tomo Caldo?

Dropo com toda certeza!

Livro indicado para todos os leitores, do iniciante ao hardcore. Posso dizer que ler A Revolução dos Bichos é uma experiência prazerosa e edificante.

 

E aew Surfistas, o que acharam da minha primeira resenha? Deixem suas críticas e sugestões nos comentários.
Não esqueçam de comentar também o que acharam do livro, quais foram seus sentimentos e se dropam ou tomam caldo.

Mahalo